E então…o alemão…

Lá vem mais um texto sobre a dominação do morro complexo do Alemão pelas forças policiais/federais no Rio de Janeiro. Sim e não.

Um policial com um fuzil em frente às bandeiras do Brasil e do Rio de Janeiro

Não é que eu não tenha gostado do que aconteceu, mas acho que pouco se fala do que realmente acontece no Rio por esses dias. Primeiro deixa eu falar que achei simplesmente genial o que a polícia e as forças armadas fizeram, depois eu vou falar que acho que muita gente interpreta de forma errada o que está acontecendo. E depois vou contar o que não gosto no que está acontecendo. Mas vou começar com uma história acontecida com uma amiga minha.

Ela está morando na região metropolitana de uma grande cidade. Dentista, ela quem fabricou vendeu tratou destes dentes lindos que tenho. Pois bem, ela estava voltando para casa, parou no sinal esperando abrir, para entrar na pequena auto-estrada que leva à cidade onde ela mora.

Tudo foi muito rápido. Uma pedra arranhou e amassou toda a lataria, A segunda rachou o vidro, mas não quebrou. A terceira simplesmente estourou o vidro do passageiro. Mais que depressa, sem que ela pudesse esboçar nenhuma reação, a bolsa dela com todos os documentos e cartões foi levada pela gangue.

Deve ser muito ruim morar neste local, onde este tipo de violência acontece com pessoas de bem, retornando para casa depois do trabalho.. Onde é? Ah, arredores de Paris, França.

O mundo inteiro sofre com o tráfico de drogas. O mundo inteiro sofre com crimes, por vezes crimes violentos. São Paulo tem mais tráfico do que o Rio de Janeiro. Los Angeles tem mais tráfico que o Rio de Janeiro. Mas nenhuma destas cidades tem locais em que o Estado NÃO PODE entrar, sem pedir permissão a um dos traficantes. No mundo todo o tráfico é clandestino, amedrontado nos cantos, e não em banquinhas de camelô, no meio da rua, junto com os trabalhadores que vão e vêm, enquanto os “vendedores” gritam suas promoções.

Foi disso que foi feita a ação do Estado naquele Domingo. Não se acabou com o tráfico no Rio, nem estamos perto disso. Simplesmente liberamos de volta para os cidadãos uma área de 1.000.000m2 que estava há muitos anos dominada pelos bandidos do tráfico, impondo suas vontades e seu terror à população que ali vivia e fazendo suas próprias leis.

Em todas (ok quase) as favelas em que já temos UPP, existe tráfico. De vez em quando tiroteio. Mas o domínio é do Estado, e não dos traficantes. E, se não cochilarmos e cedermos novamente ao populismo barato, nunca mais serão.

Mas ainda assim, uma pergunta precisa ser respondida em breve. Os policiais corruptos que pegavam o arrego nos morros e complementavam seu salário com isso, viverão de quê agora?  Isso para mim é primordial, para se cortar um círculo vicioso que pode comprometer o excelente trabalho que fizemos naquele Domingo.

Amplexos.

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