Professores, polícia e política

Ontem assiti estarrecido o que aconteceu em Curitiba. Para quem está lendo no século 22, em 29/Abril/2015 a Assembléia Legislativa do Paraná fez uma votação à portas fechadas para aprovar uma modificação na previdência dos servidores públicos do Paraná. Os professores (que já estavam em greve por isso mesmo) foram até lá na tentativa de fazer pressão para que a proposta não fosse aprovada. Resultado:

Hoje as redes sociais estão cheias de opiniões, e a militancia do partido da situação saiu da toca pois o governador do Paraná é do partido que vem a ser o principal opositor do governo.

Se você é petista convicto ou tucano convicto e acha que política se resume a um contra o outro, pare de ler aqui. Não é um post falando do FLAxFLU entre os principais partidos.

A verdade é que os professores erraram na forma, apesar de estarem certíssimos na essência do que queriam. E a polícia, infelizmente fez o que todas as polícias (vejam bem, estou falando da corporação, não dos homens e mulheres que a compõe) de todos os estados brasileiros fazem em casos parecidos: bateu, atirou balas de borracha e bombas de efeito moral, de maneira agressiva e desumana.

Sim, repito: todas as polícias de todos os estados, governados por qualquer partido, agem dessa forma. Tivemos inúmeros exemplos em 2013 e 2014, 2015 não está sendo diferente. Quando vi o ocorrido, me veio à cabeça uma frase de uma obra de ficcão, mas que discutiu muito política, religião e civilização em geral:

There’s a reason you separate military and the
police. One fights the enemies of the state, the other serves and protects the
people. When the military becomes both, then the enemies of the state tend to
become the people.

A frase vem do seriado Battlestar Gallactica, se quiser ver, no Tubo tem. Para os que não falam inglês, uma tradução livre: Há uma razão pela qual separamos os militares e a polícia. Um luta contra os inimigos do estado e o outro ser e protege os cidadãos. Quando os militares se tornam os dois, então os cidadãos tendem a se tornar os inimigos do estado.

Inimigos do estado. É isso. Infelizmente a realidade é que nossos governantes (novamente de qualquer partido) nos tratam como inimigos do estado. Tudo é feito para manter o povo longe daqueles que o governam. Gentileza e atenção são as exceções quando lidamos com a polícia.

Não precisa muito para entender, basta ver uma blitz policial em qualquer local do Brasil. A famosa “dura” é o padrão. Agressividade, humilhação de pessoas que podem ou não ter cometido um crime, mas não podem ser julgadas e tratadas como culpados ali, no meio da rua.

Precisamos evoluir muito como nação. Deste jeito não vamos a lugar nenhum. Se a Assembléia faz uma sessão fechada, não e tentando forçar a barra para entrar que vamos conseguir evitar. Isso coloca todos vulneráveis, porque, como vimos ontem e diversas outras vezes, o retorno vem desproporcional.

Votar e votar bem. Sem emocão, mas com frieza. Nada de FLAxFLU. Temos que ouvir todos os lados. Especialmente aquele lado que não gostamos. Entender o que eles pensam. Olhar, aceitar e cobrar reparo nos erros que nossos eleitos (tendo você votado neles ou não) cometem. Apesar de tentarem se passar por, nenhum deles é um deus infalível.

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