É muito bom viver nestes tempo modernos.

OSIRIS-REx e Bennu. Você nunca ouviu falar dessa duplinha dinâmica, né? Pois é, eu também não tinha, apesar de estar sempre olhando notícias sobre exploração espacial.

Vamos começar pelo Bennu. Esse objeto parecido com um dado de 20 lados, mas com um diâmetro (eu sei que quem tem diâmetro é esfera) mais ou menos do mesmo tamanho do Empire State Building é um asteróide raro do tipo B (primitivo e rico em carbono), que deve ter compostos orgânicos e minerais que contenham água, como argilas. Os asteróides primitivos não mudaram significativamente desde a sua formação há quase 4,5 bilhões de anos. Por causa disso, podem ser encontrados em Bennu moléculas orgânicas como aquelas que podem ter levado à origem da vida na Terra. A essa altura você já deve estar pensando “mas isso serve para o que?”. Guarde a pergunta para depois.

Bennu / Image: NASA

OSIRIS-REx, ou decompondo nas palavras que deram origem ao acrônimo:

  • Origin
  • Spectral Identification
  • Resource Identification
  • Security
  • Regolith Explorer

Então, OSIRIS-REx é uma missão conjunta da NASA, Lokheed Martin e Universidade do Arizona, cuja operação consite em lançar uma sonda para chegar perto de Bennu tocar em sua superfície e voltar à Terra com uma amostra de solo para estudos. Agora você está revoltado dizendo: “cheio de gente morrendo de fome no mundo, pra que gastar dinheiro com isso!?!?”. Para você ficar mais maluco de raiva, o custo total esperado até o fim da missão é de US$1.16B.

OSIRIS-REx pronta para ir para o foguete / Imagem: NASA

A missão começou em 8/09/2016, quatro anos atrás, e orbitou o Sol por um ano, após o que se dirigiu de volta à Terra, mas não para pousar e sim para usar nossa gravidade para empurrar a Sonda em direção à Bennu.

O Gravity Assist da sonda / Imagem: NASA

Em Dezembro de 2018, ela chegou, emparelhou com o asteróide e ficou acompanhando ele desde então.

E o que eles foram fazer lá? Bom são vários objetivos. Em primeiro lugar, desde 2018 o objetivo era fazer uma inspeção geral do asteróide, com os vários instrumentos que foram levados para lá. Isso foi até Dezembro de 2019. Neste mês, a NASA selecionou dois sites no asteróide. Para que? Para pousar e coletar entre 60g e 2kg de amostrar, em seis segundos. (Neste momento ouço urros de raiva: “como assim?!? Quatro anos e 1Bi de dólares para pegar meia dúzia de pedrinhas?”. Bom, não adianta reclamar, já aconteceu. Isso foi ontem à noite.

Sim. Isso foi filmado lá. / Imagem: NASA

Logo após encostar o braço no chão, a sonda acionou foguetes para se afastar e voltar ao local original, de onde vai acompanhar o Bennu até Março de 2021. Aí então ela vai fazer uma série de manobras até conseguir chegar de volta à Terra com as amostrar, em 2023.

Agora vamos entender o porque disso tudo. Bennu é um asteróide carbonáceo cujo regolito pode registrar a história mais antiga de nosso sistema solar. Bennu pode conter os precursores moleculares para a origem da vida e dos oceanos da Terra. Só isso já justifica a missão, e toda essa informação pode ajudar a localizar planetas com possibilidade de vida e sim, isso é importante.

O Bennu é também um dos asteróides mais potencialmente perigosos, pois tem uma probabilidade relativamente alta de impactar a Terra no final do século 22. O OSIRIS-REx determinará as propriedades físicas e químicas do Bennu, que serão fundamentais para saber no caso de uma missão de mitigação do impacto. Ok. Muito cuidado aqui.relativamente alta, quando transportado para nosso ambiente, é baixo, muito baixo. Mas em dimensões astronômicas está acima do limite aceitável. O que não quer dizer que vá acontecer com certeza. Mas estudar Bennu e usar o impacto da sonda no asteróide, medindo o efeito de forças não gravitacionais (o choque no asteróide), também conhecido como efeito Yarkovsky é importante para entendermos como podemos proteger a Terra deste e de outros asteróides que possam nos trazer perigo. E sim, dá para calcular onde ele vai estar daqui a 200 anos com relativa precisão.

Finalmente, asteróides como o Bennu contêm recursos naturais como água, orgânicos e metais preciosos. No futuro, estes asteróides poderão um dia alimentar a exploração do sistema solar por naves espaciais robóticas e tripuladas.

Ver esse nível de ciência e engenharia sendo posta na prática me deixa muito feliz. Eu realmente gosto muito de viver nestes tempos modernos.

Quase dá para se sentir como em Starman.

Amplexos.

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